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02/02/2018: Mapa da vida

O pôr-do-sol se encerrava amistosamente

Um lápis nas mãos do sábio discerniam

Que ele não o veria mais e traçava o mapa

Sem linhas geométricas.

 

Era o último esforço para desenhar

O que sempre deixara em segredo

O que não se escreve, fica no mar

Quando o poeta nos descreve o rochedo.

 

Desenha a vida, sua e de todos, numa síntese

Daquela noite definitiva de seu gênio

Assim transcreveu o ódio, o amor, a bondade e as mazelas

Era a memória que conservara de seu reino.

 

Não havia nenhum motivo para chorar naquela tarde

E também nenhuma razão para sorrir de boas lembranças

O lápis deslizava e a vida se desenrolava, áspera e vívida,

O mapa, multicolorido, continha todos os segredos vivos.

 

Em todos os continentes se passaram os fatos desenhados

A África nosso berço, a Europa que se quis velha, a Ásia das estrelas,

As Américas que se balouçaram na história como adolescentes

A Oceania que fizera da lembrança do tempo seus amigos totens.

 

E no seio de todas as espécies, via-se a nossa, a única

Que dissimulava quando ventos cortantes a crespavam

E outras privilegiadas, livres para voar e pelo céu rumavam

Quando a primavera as convidavam a cantar sua música.

 

Desse modo a noite se encorpou e depois foi-se aos poucos

Como nosso bom filósofo que sempre abraçara a natureza

Não viu a aura, mas os amigos que o aguardavam nos lagos

Onde passaria tempos a contar as histórias de sua fortaleza.

 

Amadeu Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.