Página Inicial Youtube Twitter Facebook

29/01/2018: Neruda e seus confins

A friagem saudava implacável

a febre de fúria do velho mar

encarapelado pelos novos gelos

suas águas puras eram os habituais calimpsestos.

 

A taberna medieval de pedras

no amanhecer se trasmudava

o café exalava perfume e alma

enquanto o pão sorria e aquecia sobre a chapa.

 

Os mestres das predarias ainda

de olhos apertados dos sonos

comungavam com seus auxiliares

a manhã gélida que encaravam e jamais temiam.

 

Um ou outro e seus fígados jovens

já combatiam o inverno anunciado

o trago de conhaque não assustava

na manhã bravia e fustigante os novos homens.

 

Iriam erguer novas moradas e igrejas 

em que inverno nenhum penetrara;

desde tempos imemoriais perdera

o gelo que testara o homem e a pele o derrotara.

 

Eis a manhã a inaugurar as invernais

de mais uma estação do trem da vida

que nunca deixou a memória de Neruda:

o cortante combate em suas claras e amadas regiões austrais.

 

Amadeu Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.