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26/01/2018: O sentido da vida "zen"

Para compreendê-lo, é inevitável cotejar o Oriente e o Ocidente. Seus povos, suas crenças, seus costumes.

A linguagem está acima do homem e o modo de alcançá-la é a poesia. A poesia oriental encurta o mundo e seu significado. Isso porque não complica os acontecimentos. Pelo contrário, busca eliminar as preocupações e, assim, reduzir o espaço de nossa inserção no mundo material. Este importa um universo real, bem menor do que o artificialismo ocidental.

Os orientais, inclusive boa parte dos chineses comandados - paradoxalmente - por um partido único e comunista, são antípodas das teses materialistas do poder. Optam pela compreensão do espírito, da alma, de Deus, da vida divorciada da constante preocupação patrimonial. Por isso, não raro busca-se o confinamento, o isolamento das coisas materiais. A integração se dá com a natureza. Daí poemas compostos de alguns ligeiros versos, como, apenas, exemplificativamente: "A lua/ Ilumina o carvão da noite/ Aclara nossos sonhos”.                         

De nossa parte, tornamos os fatos mais complexos e emotivos. Valorizamos a histeria nas novelas vistas por todos. Ensinam-nos a gritar, o que nunca se justifica, a qualquer título. No Brasil, o "american way of life" nos dominou, com o agravante de que estamos muito distantes das possibilidades econômicas da América saxônica.

Nossos dramas são aumentados. É certo que a questão econômica, ao embrutecer os necessitados, gera um problema comum, o mesmo de Ocidentais e Orientais. Este tiveram embates muito sérios, em razão da economia.

Mas o Zen visita o campo das emoções do Oriente, o modo como reagimos aos fatos da vida. Meditação, reflexão, oração, compaixão, não estão em nossa ordem do dia, salvo em opções de grupos muito raros.

O que nos move é o confronto histérico, repita-se. Este é um momento particularmente degradante do equilíbrio emocional do povo brasileiro. Sua opção por um padrão de vida impossível foi um grande móvel da violência. Violência que começa com as palavras agressivas, em torno de temas muitas vezes sem nenhum relevo, miseráveis. Talvez sejamos os campeões em homicídios e suicídios por motivos torpes e fúteis. A torpeza e a futilidade vêm do exemplo dado pelos ocupantes dos pontos altos do poder. O amor é contaminado pelo ciúme; o crescimento talentoso pela inveja.  A deturpação de um poder encarregado apenas de aplicar a lei, por quem, comprovadamente, praticou os crimes pelos quais foi acusado, é algo muito deletério em termos populares. E acabamos de viver o lamentável episódio.  Não há mais porque respeitar-se o único Poder ainda salvo, em parte - o Judiciário.

O Zen, como dito, tem a ver com a poesia, mas também com a música, a literatura como um todo, o som, o sentido e o significado. Em sua cultura, diz-se que mesmo o que não tem sentido tem o significado de não ter sentido. A vacuidade e o silêncio precisam ser assimilados pelo homem ocidental, ao lado da integração harmônica à natureza, se quisermos sobreviver e dialogar entre as pessoas e os países com o mundo.

Do contrário, Davos tem sua importância, mas será incapaz de nos redimir.

Amadeu Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.