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03/01/2018: Poesia tresloucada

O ritmo alucinante imposto pelo poeta àquele seu poema adoidado

qual a ascensão de Mozart a seus píncaros das estonteantes sonoridades

atraía todos os versos jamais pensados em todas as épocas e literaturas

fazia com que Dante e o Mestre Virgílio corressem imprudentemente

por todos os sítios extraterrenos criados pelo gênio do fiorentino

e iria perpassar toda aquela região montanhosa, aquele bosque severo,

conhecer todas as árvores, todos os galhos, todas as folhas e os répteis

banhar-se nos rios mais caudalosos do mundo que os geógrafos desconheciam

ver tão proximamente a lua que ficariam nítidas todas as suas linhas rabiscadas

o interior de todas as estrelas que ainda brilhavam, a desafiar os tempos idos

sentir que o céu poderia desabar a qualquer momento sobre a nossa terra

e não mais temer as distâncias, as alturas, os cânions dos contrafortes

que testaram no passado a coragem de todos os cavaleiros do oeste bravio

e seus disparos que pareceriam meras homenagens de pólvora ao ignorado

por isso foi-lhe determinado, por Alguém que o poeta veloz jamais sentira,

que fizesse uma parada onde deveria reinar o máximo silêncio e cessar a força

daqueles versos intempestivos que desafiavam a estabilidade do mundo

por onde viajamos por tanto tempo e fizéramos lentamente nossa história.

Depois dessa pausa digna das mais imprevisíveis sonatas e suas orquestras

o ritmo era retomado menos pretensiosamente e o poema voltava a ser poema

tal como os conhecíamos desde Homero, Virgílio, até a paciência de Goethe

pois se não, disse-lhe uma voz misteriosa, ele iria romper os limites e penetrar

no âmago dos conhecimentos ainda não dado aos homens e cuidadosamente guardado

nas curvas invisíveis e fortemente íngremes do Monte do Inescrutável.
 

Amadeu Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.