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23/10/2017: As utopias contam e cantam

Por que não voar em sonhos doces

no meio de nuvens de algodão?

O homem acariciar os seios

e a mulher beijá-lo como o beija-flor?

Ambos em sons baixos, amaciantes?

Pensar que o mundo é paradisíaco

composto de pares que conjugam

olhos, frontes, bocas e espíritos?

Felicidade indizível e eterna

nada abala sua ternura

até mesmo os ventos sopram levemente

e as chuvas caem finas, rítmicas, para regar

o sol é ameno e jamais castiga, a qualquer hora,

não há a mínima ideia do pecado original

nenhum medo de ser como se nasceu

as praias têm conchas, nenhuma lata amassada de cerveja,

por elas corremos de mãos dadas

momentaneamente paramos para nos beijar.

Por que não viver nesse mundo de carícias?

Não eu e você, todos, absolutamente todos.

Por que o poeta tem de lamber o sangue

do mundo cruel, repelente e real da morte?

Será um impostor das palavras

um estelionatário das ideias

desprezível porque foge das ideologias?

Egocêntrico, porque não quer mudar o mundo?

Haverá bandeira mais bela que a branca

alvura absoluta com um pequeno coração no centro?

Bandeira do planeta, do ocidente, do oriente,

imagem da candura, da fala mansa e gostosa,

de uma raça feliz?

Se insistirmos nessas gostosuras utópicas

como intuíram Morus e Campanella

não lançaríamos as sementes dos jasmins?

Não movimentamos nossos cérebros

sempre em direção de pântanos infernais?

 

Amadeu Roberto Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.