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26/09/2017: Meu velho amigo, sinto a sombra

Como poderia discorrer sobre poesia

se ao entardecer tudo decairia

não haveria doutrinas e conceitos

que ousassem enfrentar a fina ironia?

 

Tudo seriam lâmina que perfuraria

as veias da língua demoníacas

ou as sereias das águas dionisíacas

fazer poesia é chorar na mouraria.

 

Sei de um poeta que a vida desconhecida

por ele já clama, ele resiste, seu corpo fino,

imagino que sofre as dores da vida e da ida

meu sentimento bate e o que fazer deste destino?

 

Por ele escrevo estas linhas, eu, ainda resisto,

espero ainda estar longe da agonia de Mephisto,

para extrair um pouco mais, fazer cantar,

ele que viveu de dores e amou, só por amar.

 

* Amadeu Roberto Garrido de Paula é advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.