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08/08/2017: Guerra e paz

Quantos não se foram perfurados pela ponta de uma lança

Outros dependurados como frutos passados na Árvore do Mundo

Desesperados que viram a luz se tornar branca e o sangue verde

Nas batalhas infindáveis e torpes da incompreensão da raça.

Homens e mulheres que não mais creram nos Deuses

De Júpiter a Odin, do Grande Espírito a Tupã

Ao chorar seus mortos, seus homens e mulheres amados

Seus filhos vibrantes de energia que por ela esmoreceram

Nos campos de batalha que nos legaram lembranças no solo

Duro como a memória dos culpados e dos inocentes condenados.

Não foi válida a lição, a raça humana homogênea ainda se entredevora

À busca da felicidade do ouro, dos territórios e do poder

Lança seus quase incríveis saberes no domínio do átomo

E o pragmático voltam a ser os livores, o enrijecimento dos corpos.

Síria, como foi bonita sua Damasco, não-à-toa o jardim dos jasmins

Suas cidades duplamente mortas, como duplas foram suas línguas

O grego e o aramaico a postos, não em postos antípodas

És o exemplo do mundo contemporâneo que arrasa e expele

Pelos ventos que levam aos desertos a essência azul da vida.

Forjaremos um dia a paz, a mínima compreensão, a placidez

Do pensamento desarmado, do velho e o mar, das cartas

Que unem os homens sobre os cimos ligeiros de praias mansas?

Os homens cordatos, transigentes, que compreendem o outro,

São silenciosos e nesse momento podem estar a regar seus jardins

Como queria Voltaire e foi celebrado pelo gênio de Borges

Sem o saber, a mudar o mundo, forjando a vida sem o perceber.

 

Amadeu Roberto Garrido de Paula, é Advogado e sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.