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24/07/2017: O poste e o vira-latas

Naquela rua de terra batida, entre outros,

havia um velho poste de madeira   

circundado por gramíneas que aos olhos de um cão

certamente eram densas florestas.

O cão, sempre que o poste e as gramíneas juntavam

suas sombras para nós indiferentes, imperceptíveis,

regava-o, com a felicidade simples que também nos ama.

Vertia suas águas sem nenhum temor

de ser atacado pelos seres que o amedrontavam

em sua vida simples de vira-lata havia luta

salvo naquele momento único e somente seu

em que seus instintos nem se voltavam para uma companheira.

A umidade no poste ele interpretava qual um presente

para que ele se transformasse numa árvore florida

nesse dia ele procuraria outro, entre tantos,

para deixar em seus baixios sua expressão líquida.

Um dia, nosso vira-lata, já adiantado em anos,

foi-se aonde vamos, ao nada ou ao tudo...

O poste lá permaneceu, a envelhecer,

até que também suas madeiras começaram a vergar;

deposto de sua majestade vertical, também se fez pó.

Esses incidentes comuns da vida

são a teia de um processo que não percebemos.

Vivemos, sem tocar na vida, que não nos olha,

que passa como passou o vira-latas

e se desfaz como um poste que resiste

enquanto sua madeira dura e o pó só espreita.

Amadeu Roberto Garrido de Paula, é Advogado e sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.