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ADUANEIRAS (Webtranspo - 20/08)

Fretes devem cair, diz especialista

A Tribuna | | 20/8/2008 - 13h08

Oferta de novos navios, recuo na cotação do petróleo e desaceleração da economia mundial deverão resultar em uma queda gradativa no preço dos fretes marítimos.

A análise é do economista especializado em transportes internacionais Samir Keedi, que espera o reajuste no custo deste tipo de transporte ainda para este semestre.

Nos últimos meses, o barril do petróleo superou a casa de US$ 140,00 e os fretes marítimos tiveram uma subida inevitável. Desde o início do ano, a alta do custo desse serviço variou de 57% a 150%.

Conforme Keedi, que também é escritor, professor universitário e consultor da Editora Aduaneiras, o mercado já dá mostras de que haverá uma normalização. O primeiro e mais evidente indicativo, apontou ele, é a redução no preço do petróleo, matériaprima para a produção do bunker, o combustível naval. Hoje, o produto é negociado por US$ 115,00.

"O petróleo deu uma subida muito rápida. Hoje, está variando na casa dos US$ 120,00. Tenho a impressão de que haverá uma parada e a probabilidade é de os fretes baixarem", analisou Keedi.

Para o especialista, haverá ainda a desaceleração da economia mundial, fator fundamental para a demanda do serviço de navios mercantes. "A Organização das Nações Unidas está prevendo que o crescimento da economia mundial seja de 3,5%, 4%. Então, o comércio internacional deve desacelerar um pouco", destacou o consultor.

Ainda baseado nesses fatores para a diminuição no preço do frete marítimo, o economista afirmou que a quantidade de navios em operação também fará com que os preços sejam reduzidos. Para ele, os cargueiros recém-entregues à frota mundial mais os que estão em construção forçarão a diminuição do preço, já que haverá mais oferta de embarcações do que demanda.

"Os armadores andaram encomendando navios, com muito espaço, muito grandes, para contínuos crescimentos do comércio que nós temos hoje. Mas, se cresce um pouco menos, você tem espaço sobrando e, quando isso acontece, com o petróleo caindo, a tendência é que o frete caia em um futuro bem próximo", avaliou Keedi.

HISTÓRICO

Além das vertentes que, se associadas, interferem diretamente no custo do serviço oferecido pelas armadoras, o setor ainda pode se apegar no retrospecto histórico. Para o especialista, se for analisado ao longo das últimas décadas, o frete marítimo vem sendo reduzido aos poucos, porém com picos isolados.

Samir Keedi contou que há dez anos, por exemplo, um contêiner carregado no Porto de Santos custava US$ 600,00 e, hoje, pode ser embarcado por US$ 50,00.

O consultor destacou, ainda, que o frete marítimo representa anualmente cerca de US$ 10 bilhões, que confrontados aos US$ 280 bilhões do comércio internacional do País representa só 3,5%.

Os problemas de infra-estrutura dos portos brasileiros pesam no custo do transporte de cargas, mas não são os responsáveis pelo preço do frete. Segundo Keedi, ao contrário do que se pensa, esse valor até caiunosúltimosanos,mesmo com o crescimento dos fretes. "Se os portos estivessem piorando,poderiamafetarofrete porqueoscustosdosarmadores estariam subindo. Não é o caso",garantiu.